quarta-feira, 29 de maio de 2013

Em junho, entra em cartaz o Projeto Achados & Perdidos

Exposição deliberada de nós 

O Projeto Achados & Perdidos reúne quatro artistas que se debruçam sobre suas memórias e intimidades. Em junho, estreia a obra cênica e as instalações do projeto
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Quatro artistas se encontram para desnudarem-se em nome de uma obra cênica, instalações e atos performativos. Quem e o quê os construíram? O quê os atordoa? Como a intimidade de cada um reverbera no outro? O Projeto Achados & Perdidos é baseado em fatos reais. Uma obra aberta emaranhada entre memórias que vão e vem. As ações serão apresentadas aos sábados e domingos de junho, a partir do dia 8, às 19h.

O projeto foi contemplado no Edital das Artes 2011 da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). Os artistas são: Andrei Bessa, Danilo Castro, Edivaldo Batista e Keka Abrantes.  O coletivo realiza-se da união de quatro graduados no curso de Artes Cênicas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Cada integrante emerge com sua bagagem teatral e pessoal, mas em prol de um trabalho artístico que converge inquietações na busca por uma estética ampla. As ações misturam as linguagens cênicas concatenando também performances, instalações, fotografia e audiovisual.

O projeto surgiu em julho de 2012 com resgate de memórias e exposição do "eu", explorando uma dramaturgia em processo. Os artistas relatam histórias de vida, das alegrias às desventuras que os construíram, com intuito de criar obras a partir de um mote extremamente particular. A fonte é a memória individual e familiar, onde os causos de perdas e ganhos constroem o trabalho, que se transforma a cada sessão.

O projeto iniciou publicamente no dia 9 de abril, quando a página do Facebook e o perfil do Instagram (@projetoachadoseperdidos) foram abertos. Nenhuma postagem é meramente informativa ou publicitária. Todas as publicações são diretamente ligadas ao projeto. Quatro atos performativos já aconteceram: "- Kekasar comigo?", "Edivaldo aos pés da santa", "O que é preciso para ser santa?" e "Cenas Esquecidas".

Para assistir à obra cênica e apreciar as instalações durante o mês de junho, será necessário fazer uma solicitação via e-mail e reservar o ingresso. No contato, o interessado receberá uma solicitação-surpresa a ser trocada pela entrada no dia do evento. A capacidade para cada sessão é de 30 pessoas.

Quem somos nós?

Andrei Bessa é bacharelado em baixar músicas, graduado em Artes Cênicas no IFCE, em publicidade na UFC, além de ser mestrando em Artes também na UFC. Diz que assistiu todos os episódios de Chaves. É integrante do Coletivo Cambada. Carrega heranças do Massapê e do Alto Santo. Hoje vive no oitavo andar de um prédio numa avenida larga, onde namora todos os dias com o resto do mundo.

Danilo Castro pensou que seria artista plástico, mas se tornou ator, graduado pelo IFCE. Ele divide as artes com o campo do jornalismo, onde se graduou na UFC. Gosta de escrever contos e textos opinativos, chora quando vê criança com pé descalço na rua e ri com piadas bobas. Tem um irmão músico, mas escuta pouca música. Ele também fala com a as mãos, através da Libras. Ama a praia de Flecheiras porque a avó sempre o levou para lá.

Edivaldo Batista é ator, graduado em Artes Cênicas pelo IFCE, cria uma gata chamada Guenon, que já teve três filhos. Tem profunda admiração pela mulher e suas potencialidades ritualísticas e cênicas. Nasceu em Aracoiaba, mas hoje é filho do Benfica. É integrante do Teatro Máquina, gosta de samba, cerveja, comida, piada, brinquedo, bermudinhas e café.

Keka Abrantes é atriz, graduada em Artes Cênicas pelo IFCE e em Enfermagem pela UFC. Ama viajar e detesta cozinhar. Assim que nasceu se mudou para João Pessoa e aos 18 anos decidiu vir morar sozinha em Fortaleza. Ela escolheu o próprio nome. Há dois anos tenta praticar capoeira e há um mês resolveu aprender a tocar cuíca. Comprou um vestido de casamento, mas não chegou a usá-lo.

Colaboradores

Aline Sampaio - supervisão de coreografia. Felype Ferro - supervisão de canto.Rafael Barbosa - supervisão de dramaturgia. Rafaela Kalaffa - supervisão de figurinos. Thalita Lopes - produção. Walmick Campos - material gráfico. Grupo Pavilhão da Magnólia. Casa da Esquina (Teatro Máquina e Grupo Bagaceira de Teatro).

Serviço

Quando: Dias 8, 9, 15, 16, 29 e 30 de junho. Onde: Sede do grupo Pavilhão da Magnólia, no Teatro Universitário. (Av. da Universidade, 2210 - Benfica, a partir de 19h) Quanto: O ingresso é uma troca. Envie e-mail paracontato@pavilhaodamagnolia.com.br com seu nome completo, informando a data que você comparecerá. Você receberá uma solicitação-surpresa que deverá ser revertida pelo ingresso na entrada do evento. Capacidade para 30 pessoas. Informações:www.achadoseperdidos.blogspot.com ou www.facebook.com/achadoseperdidos e 99183535.  

terça-feira, 28 de maio de 2013

Projeto Achados & Perdidos na Casa da Esquina

Nesta quinta, 30/05, tem intervenção do Projeto Achados & Perdidos na mostra Pequenos Trabalhos Não São Trabalhos Pequenos, do grupo Teatro Máquina, na Casa da Esquina ( Rua João Lobo Filho, 62 - Bairro de Fátima, a partir de 18h). Entrada Franca.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

“E na ficha técnica?” ou A difícil tarefa de nomear


É arriscado afirmar que estar entre é mais difícil ou complicado do que estar de um só lado. Mas trilhar caminhos poucos explorados exige que você tome atitudes e decisões com poucas certezas de que serão as melhores. 

No Projeto Achados&Perdidos estamos entre, acolá ou mais pra lá do que os paradigmas artísticos clássicos postulam. Estar nesse terreno incerto é o que nos move – em cena, em fotos, em vídeos e tudo mais que pudermos/conseguirmos transbordar-nos. 

No entanto, a difícil tarefa está agora, na hora de amarrar alguns nós. Nesse momento, de acertar alguns detalhes, nos embaraçamos na ficha técnica: como nomear algumas coisas que não deram os nomes ainda?

É, as palavras envelhecem. Amadurecem. Mudam de estado. Mas uma palavra mal usada pode causar desvios indesejáveis, como já usamos tantos os desvios em nossas criações, se faz importante tentar algumas linhas retas.

Um dos itens mais difíceis de pontuar na ficha técnica foi a minha função. Em outros processos eu tinha que me contentar com a chancela de diretor ou de encenador, já teve trabalhos que estive mais próximo como dramaturgo e outros como dramaturgista. Quatro palavrinhas bem usadas nas fichas técnicas – algumas com mais história do que outras -, porém, nenhuma delas parece me vestir. Já pensamos também em colocar provocador antes do meu nome, mas definitivamente não é só isso. Coordenador? Colaborador? Também não, absolutamente.

Mas há urgência em fechar uma ficha técnica – mesmo que por enquanto. No momento estamos paquerando (meio a distância) com o Propulsor no crachá. Já não sei se permaneceremos nesse caminho ou se iremos nos aproximar de outros. 

Tentar entender qual a sua função dentro de um processo artístico é complexo já que não somos engrenagens, nesse caso não há uma tarefa lógica e clara a ser comprida – por isso torna-se árduo esse momento. Nomear é um ato de violência, por vezes, necessário.

Andrei Bessa
26.05.13

domingo, 12 de maio de 2013

O que é o amor, me explica por favor?


Há aqueles que acreditam que os filhos são gerados para continuar o trabalho realizado pelos pais. Mesmo sem acreditar nisso, eu tentei completar uma questão que minha mãe começou há mais de 30 anos.

Em 1980,  aos 25 anos, ela iniciou sua saga que muitos já falharam, afinal o que é o amor? "Amar é...". Claro que não houve sucesso. das 255 respostas que tinham disponíveis, minha mãe conseguiu encontrar 145, 55%.

Em 2009,  aos meus 22, entrei nessa missão suicida. Agora, com 144 respostas possíveis, consegui 74 delas - cerca de 53%.

Levando em consideração os números, eu até fiquei atrás. Falhei como filho. Mas há outras observações que devemos fazer.

em 1980, o livro sagrado, onde deveria ser afixado as respostas, custava 5 cruzeiros. e cada resposta poderia ser adquirida por cr$1,00 - 25% valor do livro.  30 anos depois, o livro custava 4 reais e 50 centavos e cada resposta era adiquirida por 15 centavos - ou seja, 3,3%. 

O que já dá para tirarmos algumas conclusões. em 80, havia mais respostas para essa pergunta, havia amor em mais lugares. Já em 2009, as respostas valiam bem menos, com poucos trocados, teríamos uma chuva de respostas.

Até poderia tentar converter o quanto custava em cruzeiro para hoje, mas essa tarefa é insana. Se o valor desse pedaço de papel que os outros chamam de dinheiro muda a todo instante, a certeza dessa conversão não seria maior do que qualquer uma das respostas incrédulas, de qualquer um dos livros.

Por fim, tanto minha mãe, como eu, poderíamos ter utilizado de subterfúgios e conseguir encontrar todas as respostas, bastava escrevermos uma carta para o Todo Poderoso - não, não estou falando do Papai Noel, e sim da editora. Ambos poderíamos ter completado nossos livros sagrados, mas fico feliz por termos feito a mesma escolha: guardamos a necessidade da resposta, das respostas dos outros e deixamos-nos incompletos. Pois uma pergunta que tem tantas respostas não é uma pergunta para ser respondida.

Andrei.

Edivaldo aos pés da Santa

"Eu passei muito tempo da minha infância sonhando com uma mulher e três crianças. Na adolescência, tive uma revelação". É amanhã, a partir de 18h. Edivaldo Batista vai se reencontrar com a Santa.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

-Kekasar comigo?


Eu tenho muito medo de dormir sozinha, sempre tive. Quando eu era pequena, pensava que devia ser muito legal casar e ter alguém para dormir comigo todas as noites. Já cheguei a pedir alguém em casamento antes mesmo de perguntar seu nome. Já comprei vestido e imaginei cada detalhe, não da festa, mas das noites não mais assustadoras. Kekasar comigo? Vou percorrer algumas igrejas de Fortaleza neste sábado, 4 de maio de 2013, e estou disposta a casar com quem aceitar o pedido.

Keka.