terça-feira, 20 de agosto de 2013

Diários

Cada dia anotado é um dia preservado. Dupla e vantajosa operação. Assim, vivemos duas vezes. Assim, protegemo-nos do esquecimento e do desespero de não ter nada a dizer. "Prendamos com alfinetes nossos tesouros", diz horrosamente Barrès.

Maurice Blanchot

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Informações Técnicas

Concepção da Obra Cênica #1


A Obra Cênica #1 do Projeto Achados & Perdidos foi concebida originalmente para ser apresentada em espaços não-convencionais de teatro. Nosso intuito é também descobrir e experimentar lugares potencialmente artísticos como galpões, galerias, salas de ensaio e salões. No entanto, o Projeto já realizou apresentações em palcos de teatros convencionais, onde o público ficou disposto em corredor, em cima do palco. No alto, balões luminosos são pendurados sobre a arena cênica.

A obra possibilita uma proximidade maior da plateia com os artistas, com os objetos da instalação "Pedaços de Todos Nós" e com a própria cena. Portanto, a obra pode ser apresentada em diversos tipos de espaços. Em geral, utilizamos paredes para a exposição de quadros, fotografias, projeções e objetos que fazem parte da instalação. O número de espectadores varia normalmente entre 20 e 100 pessoas, dependendo de cada espaço, que podem se acomodar em cadeiras e colchonetes que formando um corredor cênico, conforme é possível visualizar no nosso mapa de palco, em anexo.

Mapa de Palco


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Pequenos trabalhos não são trabalhos pequenos (Jornal Diário do Nordeste)

Grupos de Fortaleza avaliam evento pioneiro de circulação de espetáculos só por sedes de companhias

O título dessa matéria é homônimo ao projeto mensal realizado na Casa da Esquina, sede dos grupos Teatro Máquina e Bagaceira. Nele, companhias teatrais apresentam esquetes e montagens ainda em processo, compartilhando trabalhos e discutindo ideias. Em meados do fim de julho, grupos de teatro de Fortaleza, inspirados em ações como essa, decidiram parar de esperar pelo poder público e fazer teatro, mesmo sem teatros. Assim surgia o I Circuito Alternativo de Teatro, fruto da interdição dos principais palcos da cidade e da indignação com a falta de proatividade da gestão de cultura estadual. De 23 a 28 de julho, oito companhias locais cederam gratuitamente suas sedes para abrigar espetáculos de 26 grupos, gerando uma verdadeira partilha entre grupos de teatro da cidade e descentralização as apresentações.

O festival foi também uma forma de dar visibilidade aos espaços, que atuam como verdadeiros centros culturais, mas sem nenhum apoio institucional

Ao longo dos dias de festival, pela opinião de atores e diretores nas redes sociais, tanto das companhias que se apresentaram quanto das que sediaram, captava-se um sentimento comum de êxito. "Foi uma apresentação maravilhosa. A Aldeia (sede do grupo Expressões Humanas) tinha capacidade para 30 pessoas e 15 pessoas não puderam entrar, isso pra mim é a prova de que haviam sim muitas pessoas interessadas em conferir o circuito", afirma Danilo Castro, integrante do Projeto Achados & Perdidos.

Segundo ele, a plateia de Achados & Perdidos, apesar de pequena, foi bem diversa. "Havia colegas do teatro, que ainda não tinham conseguido ver o espetáculo, já que estreou em curta temporada, mas também tinham pessoas que não eram da classe teatral. Como nosso espetáculo tem uma proposta psicológica, aproximada da instalação, haviam também umas estudantes de psicologia, psicodramistas", afirma o ator.

Também Nas Quebradas do Mundaréu, sede do Grupo Imagens de Teatro, a apresentação de "João Botão", do Teatro Máquina, reuniu uma porção de crianças da comunidade. "Já estava pertinho de começar e tinham poucas pessoas. Mas aí o grupo do Edson, os ´donos da casa´, andou ali pelas ruas do bairro e rapidinho a casa estava lotada", comenta Danilo, morador do mesmo bairro da sede do Imagens, o Monte Castelo.

Para ele, o festival foi ainda uma forma de dar visibilidade a esses espaços, que atuam como verdadeiros centros culturais nas periferias, mas sem nenhum apoio institucional. "Esse circuito só reforça que, quando pedimos dinheiro ao poder público, não é apenas para sanar nossas angústias artísticas, mas para levar cultura ao povo. A Casa da Esquina, do Teatro Máquina e do Bagaceira, realiza todo mês mostras mensais de esquetes, além de sempre dar um jeitinho de ceder o espaço para ensaios. Nosso grupo mesmo já ensaiou lá várias vezes. Então, por que não potencializar uma iniciativa como essa?", defende.

Nesse sentido, o que a classe teatral reivindica é o aumento de editais de manutenção de grupos, políticas, aliás, bastante recentes, de cinco anos ou menos. "As ações formativas que acontecem nesses espaços são pequenas, assim como eles. Talvez por, justamente, não chamar tanta atenção, não se tratar de grandes centros culturais, o governo não dê o devido valor", alerta Danilo.

Análise

Na última quarta-feira, dia 31 de julho, representantes dos grupos organizadores se reuniram para avaliar o evento. De acordo com Raimundo Moreira, líder da Companhia Prisma de Artes, do bairro Dias Macedo, a reunião foi bastante produtiva e já se pode adiantar algumas ações previstas pela "turma do circuito": a proposta é promover o circuito semestralmente. O próximo possivelmente será em janeiro de 2014. "Queremos também que seja mais tempo, de repente uma semana toda, e em mais sedes. Pelo menos outros cinco grupos nos procuraram, dizendo: ah, também temos sedes, também queremos!", comenta Raimundo.

Segundo o diretor, com a extensão dessa programação, a ideia é fazer mais sessões em menos sedes por dia, para - por um lado - comportar todo o público, já que as sedes são pequenas; e, ao mesmo tempo, garantir que espetáculos não concorram entre si. Apesar de relatos de lotação em algumas apresentações, outras, no entanto, foram canceladas por falta de público, o que leva a pensar que há sim pontos a se repensar para as próximas edições.

"A diluição da programação por mais dias parece ser uma boa solução, pois podemos nos dedicar à divulgação de menos espetáculos por dia. Além disso, abre-se a possibilidade de os grupos se assistirem", acrescenta. Há também o desejo de que haja mais trocas entre o grupo visitante e o anfitrião. "Seria ótimo se os atores da companhia chegassem cedo nas sedes, conversassem, ensaiassem, almoçassem por lá e aí sim, à noite, fizessem sua apresentação e um debate breve com os interessados, depois do espetáculo", aponta Raimundo.

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Fonte: Caderno 3, Jornal Diário do Nordeste - 06/08/2013

sábado, 3 de agosto de 2013

my way


As memórias são caminhos? Daqueles sem começo e nem fim, que só acontecem quando são trilhados? Quais caminhos já percorri? Quais caminhos possíveis pela frente? Quantos caminhos posso percorrer ao mesmo tempo? Talvez não façam sentido essas perguntas. Talvez elas não precisem de respostas. Os pontos de interrogação me são mais graciosos que os finais. A cada caminho que volto a percorrer, vou percorrendo no momento presente. Memória não tem idade, memória é no presente, memória é presente. Tantos caminhos me atravessam agora. Tantos caminhos para atravessar neste exato agora. Já é tarde. Vou-me, andarilho de mim mesmo.

and i do it my way from Andrei Bessa on Vimeo.